Na madrugada desta sexta-feira (28), os céus foram palco de um dos fenômenos astronômicos mais marcantes do ano. No auge do eclipse lunar parcial, cerca de 93,9% do disco da Lua ficou encoberto pela sombra da Terra.

O fenômeno pôde ser acompanhado em diferentes regiões do Brasil e também nas Américas, na Europa e na África, sempre condicionado à presença de céu limpo. Por ser um eclipse lunar, a observação foi segura a olho nu; binóculos e pequenos telescópios apenas ampliaram os detalhes da passagem da sombra pelas crateras.

Durante o ápice, o satélite natural não desapareceu por completo. A parte encoberta assumiu uma tonalidade acobreada e avermelhada porque a luz solar que atravessa a atmosfera terrestre perde mais facilmente os comprimentos de onda azulados. A luz vermelha e alaranjada consegue chegar à superfície lunar, criando o efeito conhecido popularmente como “Lua de sangue”. Poeira, nuvens e outras partículas presentes na atmosfera podem alterar a intensidade dessa coloração.

O eclipse aconteceu na mesma temporada astronômica do eclipse solar total de 12 de agosto. A proximidade entre os dois eventos reflete a mecânica orbital: durante uma temporada de eclipses, Sol, Terra e Lua permanecem alinhados o suficiente para que ocorram fenômenos solares e lunares separados por cerca de duas semanas.

Luneta histórica apontada para a Lua eclipsada

Para registrar e analisar a passagem da sombra, astrônomos e entusiastas recorreram a câmeras de alta performance e telescópios refletores de grande abertura. Instrumentos históricos, com sistemas mecânicos de acompanhamento, também continuam capazes de compensar a rotação da Terra e manter a Lua centralizada durante longas observações.

Além do espetáculo visual, a observação detalhada de formações como o Mare Imbrium e a região do polo sul reforça o interesse científico pela Lua. Depósitos de gelo de água em áreas permanentemente sombreadas e a composição mineral do solo são alvos importantes das missões que estudam a presença humana sustentável no satélite.